Com os recentes acontecimentos envolvendo o endurecimento das políticas migratórias — algumas destas políticas têm afetado diversas nacionalidades, que inclui também muitos brasileiros ao redor do mundo — é impossível ignorar a contradição latente: ao mesmo tempo em que tentam fechar suas fronteiras, a maioria destes mesmos países enfrentam uma grave crise demográfica e clamam por mão de obra jovem e produtiva.
É preciso refletir: O que, de fato, representa o imigrante na Europa de hoje?
Estamos vendo leis cada vez mais rígidas que parecem querer dificultar e manter o imigrante em um looping eterno em busca da sua tão sonhada residência/ cidadania. Não, eles não estarão em maior número numa delegacia de polícia à noite após cometer algum delito — há trabalho demais para fazer e o tempo livre é para dormir e manter a sanidade mental — mas se você experimentar ir na porta da AIMA, Ministero dell’Interno, OFII, Oficina de Extranjería ou qualquer nome que se possa chamar de “local onde consigo meus documentos legais”, você verá muitos deles, em fila, exaustos e torcendo para que consigam ‘entrar’ nem que seja pela janela, já que as portas costumam se fechar com muita frequência e sem nem permitir o direito de resposta.
Como falamos no Brasil, “parece até pirraça”
Um sistema que diz silenciosamente: “tente, mas não ouse conseguir”. De um lado o discurso político atual insiste em criminalizar uma maioria que não cometeu nenhum crime — afinal, uma das exigências universais para a concessão de vistos de residência é justamente não possuir antecedentes criminais. Muito irônico tentar criminalizar alguém que tem como provar que não cometeu nenhum crime. De outro, os dados são claros: imigrantes, inclusive os em situação irregular, já movimentam a economia, sustentam setores inteiros e ocupam funções que muitos europeus não querem ou não conseguem mais exercer.
A irregularidade, sim, deve ser discutida. Mas a punição e exclusão seria o melhor caminho? Pra quê se em uns 10 anos ou menos estarão implorando para esse povo todo voltar? Será que caminho mais inteligente e humano seria a legalização em massa, acompanhada de medidas de educação, integração e arrecadação fiscal? Porque um imigrante legalizado é um cidadão contribuinte. Certo? E a história já provou que países que acolhem e regularizam têm muito mais a ganhar do que a perder.
Diante de tantas opiniões, há um dado irrefutável: os números não mentem. Diversas pesquisas, inclusive feitas por instituições europeias, mostram que os imigrantes não são um fardo econômico, mas sim uma peça essencial no quebra-cabeça da sustentabilidade europeia, e não uma ameaça às economias. As pesquisas ainda trazem um dado aparentemente ignorado por quem criminaliza o imigrante: quando integrados de forma eficaz, representam um ganho econômico, demográfico e social para os países.
O que dizem os dados e as instituições internacionais?
- OCDE (2022): A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico afirma que os imigrantes contribuem mais em impostos e contribuições sociais do que recebem em benefícios públicos. Fonte: OECD – Migration and Public Finances.
- Comissão Europeia: Relatório da Comissão mostra que a presença de migrantes impulsiona o PIB dos países membros, melhora a oferta de trabalho e contribui para sistemas de previdência. Fonte: EU Migration Economic Benefits.
- Banco Mundial (2023): A imigração qualificada e regular pode aumentar o crescimento econômico e reduzir o envelhecimento populacional. Fonte: World Bank – Migration Report 2023.
- ONU (UN DESA): Estimativas apontam que a Europa precisará de mais de 95 milhões de imigrantes até 2050 para manter sua força produtiva. Fonte: UN PopFacts – Replacement Migration.
Portanto, longe de serem um “fardo”, os imigrantes representam uma oportunidade estratégica para revitalizar a economia europeia, enfrentar o envelhecimento populacional e construir sociedades mais sustentáveis e diversas. O desafio está em regular, integrar e acolher com responsabilidade.
As soluções reais são dadas por pesquisas como estas, que mostram números reais. Pessoas que estão com energia e com vigor para encontrar as respostas certas. Pois se houvesse real vitalidade de solucionar a questão da imigração, o velho e tão querido continente não estaria colocando a palavra “imigrantes” em uma mesma caixinha e generalizando todos que lá estão.
A ideia de que a imigração aumenta a criminalidade é uma desculpa frágil.
Em países onde a segurança pública é sólida, organizada e onde a maioria da população, incluindo a população migrante, é pacífica e trabalhadora, não se sustenta responsabilizar um grupo inteiro pelas ações de uma minoria desviada. Usar casos isolados como justificativa para criminalizar todos os imigrantes é generalização perigosa e serve mais para alimentar discursos xenofóbicos do que para enfrentar os verdadeiros desafios da segurança.
Nenhum país tem 100% de cidadãos sem desvios, nem entre os nascidos nele. A diferença é que quando o autor de um crime é estrangeiro, o crime vira estatística de imigração. Quando é nacional, vira caso de polícia. A criminalidade não tem passaporte, mas o desejo de viver com dignidade, sim, esse tem nacionalidade: humana.
Ei imigrante, se em algum momento algo te fizer sentir como “um problema”, “um fardo” ou que este não é o seu lugar, respire fundo e saiba: isso não passa de um devaneio desconectado da realidade — uma narrativa rasa que ignora os números, as pesquisas e os fatos. A verdade? É que você move economias, preenche lacunas e sustenta estruturas que, sem você, estariam em colapso. Imigrar com consciência é mais do que força de trabalho — é cultura, renovação e história viva em movimento.
E sobre a questão da “pirraça”? Sim, ouse conseguir.












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