França tenta barrar acordo Mercosul-UE, mas Brasil e UE mantêm cronograma

Imagine que você está há 20 anos negociando a compra de uma casa. Depois de muito vai e vem, finalmente você e o vendedor chegaram a um acordo sobre o preço e as condições. Agora, quando estão prestes a assinar o contrato, um vizinho aparece e diz: “Só deixo vocês fecharem o negócio se mudarem algumas coisas”.

É exatamente isso que está acontecendo com o acordo comercial entre o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e a União Europeia. Após mais de 20 anos de negociações, os dois lados finalmente concordaram com os termos. Mas agora a França está dizendo: “Só aceitamos se vocês mudarem algumas regras ambientais”.

A resposta do Brasil e da maioria dos países europeus é clara: “Não vamos reabrir as negociações. O que foi acordado, foi acordado.”

Esta matéria da SwissInfo publicada no dia 11 de Julho explica como está essa situação e o que cada lado está dizendo. Confira a tradução na íntegra:

UE e Brasil Rejeitam Reabrir a Negociação Comercial Apesar das Pressões da França

São Paulo, 11 de julho (EFE) – Representantes do governo brasileiro, que exerce a presidência temporária do Mercosul, e da União Europeia rejeitaram nesta sexta-feira a possibilidade de reabrir as negociações em torno do acordo comercial entre os dois blocos, apesar das pressões da França.

O chefe adjunto da Delegação da União Europeia (UE) no Brasil, Jean-Pierre Bou, disse durante uma coletiva de imprensa virtual com correspondentes estrangeiros que o acordo foi negociado durante “um período muito longo” e deu por encerrada essa fase.

“Segundo minhas informações, não há intenção de reabrir as negociações”, afirmou, após ser questionado sobre a demanda do presidente francês, Emmanuel Macron, de adicionar um “protocolo” ao acordo com “cláusulas espelho” em assuntos como produtos químicos agrícolas.

Bou defendeu que se trata de um dos acordos “mais modernos” que existem em matéria ambiental e disse que as diferenças que persistem no seio da UE podem ser “superadas”.

Quanto ao cronograma, o diplomata afirmou que a revisão jurídica e as traduções do tratado estão sendo finalizadas, e que espera que seja assinado antes do final do ano, para então iniciar o processo de ratificação pelos países integrantes de ambos os blocos.

Nessa linha, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura do Brasil, Luis Rua, confirmou a “expectativa” de seu país de assinar em dezembro, antes que termine a presidência brasileira do Mercosul, do qual também fazem parte Argentina, Paraguai, Uruguai e em breve a Bolívia, que está em processo de adesão.

Além disso, Rua assegurou que as garantias ambientais presentes no acordo “são suficientes” e lembrou que o Brasil exporta para a UE há décadas e que já cumpre com as normas sanitárias do bloco.

“O Brasil tem trabalhado cada vez mais na linha da sustentabilidade”, declarou, antes de citar a queda no desmatamento da Amazônia nos últimos dois anos.

EFE
jmc/cms/rod

Fonte

Lucy

Mãe, nômade digital, empreendedora digital desde 2008 e web designer vivendo em Barcelona, na Espanha. Fundei o Eurobra porque sou apaixonada por conectar culturas e informar como forma de compartilhar poder e liberdade.