Portugal não tem futuro sem imigrantes, alerta governador do Banco de Portugal

O governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, destacou a importância da mobilidade laboral e humana para o crescimento econômico do país e da Europa durante a sessão comemorativa do 46º aniversário do Instituto Politécnico de Coimbra, no dia 9 de Julho.

Centeno afirmou que “o conceito poderoso por detrás deste enorme sucesso das nossas economias e sociedades é o fenómeno da mobilidade laboral e humana. Sem ela, a Europa não tem futuro; sem ela, Portugal não tem futuro.”

Segundo o governador, quase dois terços do aumento da produção em Portugal nos últimos cinco anos estão associados ao aumento da mobilidade humana e laboral. Sem essa mobilidade, o país teria perdido dois terços do crescimento econômico nesse período.

Na zona euro, foram criados 12 milhões de empregos nos últimos cinco anos, dos quais 7,2 milhões (60%) foram ocupados por pessoas que trabalham em um país diferente do seu local de nascimento.

Além disso, Centeno destacou que, nos últimos dez anos, os salários médios em Portugal quase duplicaram, resultado do crescimento do emprego — que avançou cerca de 40% — e do aumento das qualificações profissionais.

Os setores que mais contribuíram para esse avanço são os que pagam salários acima da média, como as atividades científicas, de informação, comunicação e os setores industriais qualificados, enquanto o turismo teve menor impacto nesse crescimento salarial.

Durante a intervenção, Centeno também lembrou que, entre 2008 e 2014 — período marcado pela crise financeira global e pela intervenção da troika — o investimento na construção de habitação em Portugal caiu 83%, e a produção do setor diminuiu cerca de 60%.

Ao encerrar sua fala, o governador considerou o cenário futuro como “um desafio enorme” para o país, destacando o papel das universidades e do conhecimento para enfrentá-lo.

A intervenção de Mário Centeno pode ter sido sua última antes do término do mandato à frente do Banco de Portugal, no próximo dia 19.

Lucy

Mãe, nômade digital, empreendedora digital desde 2008 e web designer vivendo em Barcelona, na Espanha. Fundei o Eurobra porque sou apaixonada por conectar culturas e informar como forma de compartilhar poder e liberdade.